O Tamanho do poder (pênis)

O Tamanho do poder (pênis)

 A crença de que seu pênis é menor que os dos outros, abala a confiança masculina e diminui a sua auto-estima. Na maior parte dos casos a insatisfação não vem de uma queixa da parceira, mas sim do desejo do mesmo de possuir um pênis maior, seja por desconhecimento das dimensões normais, seja por comparações errôneas feitas com outros pênis, vistos em revistas e filmes eróticos, ou através de "vantagens" contadas por amigos. Certos pais induzem um trauma psicológico nos filhos na infância ao compararem os seus pênis com os de outros meninos da mesma idade. 
 
Nos homens normais, geralmente, o pênis atinge seu tamanho definitivo aos 16 anos de idade e 80% dos pênis eretos situam-se entre 11 e 16 cm, sendo 14 cm a média comum. A circunferência do pênis ereto situa-se em média entre 06 e 15 cm. Diferenças raciais não estão bem definidas, mas existe uma aparente variação p/ uma média maior ou menor. Em flacidez, o tamanho médio do pênis do adulto varia de 06 a 09 cm. Esta avaliação tende à subjetividade, já que tanta ansiedade, frio,obesidade, tônus muscular e outros fatores podem retrair e enrugar o pênis, diminuindo o seu tamanho.
 
O tamanho do pênis é uma preocupação masculina e não feminina, pelo falso mito de que quanto maior o pênis, maior prazer proporcionará ao outro parceiro sexual. Não é verdade, pois há um limite de tamanho que pode penetrar na vagina e com certeza haverá um incomodo e dor na sua penetração, o que é muito repudiado pelas mulheres. Geralmente dor e prazer não se encaixam bem entre os casais. É mais interessante entre as mulheres um pênis mais grosso do que mais comprido, pelo fato das mulheres sentirem maior prazer nos primeiros centímetros na entrada da vagina. Existe um dito popular que resume estes dados: “mais vale um pequeno brincalhão do que um grande bobalhão”.
 
A maioria dos homens insatisfeitos com as dimensões dos seus pênis enquadra-se nas seguintes condições: 1-pênis de tamanho normal, adequado para sua função; 2-pênis de tamanho normal, "escondido" parcialmente pelo aumento da gordura, comum nos obesos; 3-pênis de tamanho normal, em um homem alto com pênis proporcionalmente pequeno; 4-pênis de tamanho normal, parcialmente encoberto por uma implantação anormal da bolsa escrotal; 5- pênis de tamanho normal, em que uma porção excessiva de prepúcio foi retirada durante a circuncisão.
 
Portanto, a maioria dos casos pode ser resolvida com uma simples orientação ou com cirurgias simples.
 
O aconselhamento psicológico tem papel relevante para melhorar a auto-estima e fazer com que o indivíduo se aceite como é. A cirurgia de alongamento peniano com finalidade cosmética em pênis normais é considerada como cirurgia experimental, reservada para casos selecionados e com realização permitida apenas em centros médicos de pesquisa, de acordo com normas estabelecidas pelas Resoluções 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e 1478/97 do Conselho Federal de Medicina. Porém, há chances de haver complicações por danos às estruturas adjacentes, levando à impotência, dessensibilização ou retrações cicatriciais que diminuirão ainda mais o tamanho do pênis, além de maus resultados estéticos.
 
 Após a cirurgia, o pênis perde sua angulação natural, quando ereto, em relação ao púbis, ou seja, mesmo quando ereto, aponta para baixo em vez de para cima. Quanto às técnicas cirúrgicas para o aumento da circunferência do pênis, vários autores têm tentado o implante de silicone líquido, gordura do próprio paciente e enxertos de derme. Na maioria dos casos os resultados são temporários e podem ocorrer complicações como inchaço, retrações e formações de nódulos, que deixam o pênis com aspecto estético pior que antes da cirurgia. Bombas de vácuo, exercícios, massagens e aparelhos "esticadores", são anunciados como soluções infalíveis e desprovidas de complicações. Na verdade, têm resultados confusos e não muito bem avaliados por pesquisas. Não tem a aceitação dos urologistas e os "milagres" a eles atribuídos não têm comprovação científica.
 
Cuidado, pois pênis temos um só pênis e como órgão de reprodução e de prazer é extremamente sensível e  seqüelas advindas de mau trato e/ou procedimentos modificam e muito, geralmente para pior, a resposta sexual masculina. Como seqüelas locais podemos ter desde uma dor leve à manipulação ou ereção do pênis até a uma disfunção erétil (impotência).
 
O tamanho do pênis em repouso não é relevante, a não ser para os exibicionistas ou os que nada de melhor têm para apresentar e valorizam seu poder pelo tamanho do seu pênis. É no estado ereto que o pênis exerce sua função. Se a maioria das vaginas tem uma profundidade entre 09 e 12 cm, para que serviria um pênis maior? Portanto, a grande maioria dos pênis, adapta-se a quase todas as vaginas. Rara é a mulher cuja falta de prazer possa ser atribuída ao tamanho do pênis do parceiro.
 
O prazer feminino independe do tamanho do pênis, mas sim de um conjunto de fatores que cerca o ato sexual: emoção, amor, clima erótico, desejo e apetite sexual, grau de excitação e "habilidade" do parceiro. O homem costuma ser obcecado pela penetração, enquanto que a mulher é mais centrada nas preliminares. Mulher não reclama de tamanho de pênis. Mulher reclama de infidelidade, de indiferença, de falta de carinho e atenção, do egoísmo e preocupação do parceiro em satisfazer a si próprio.
 
Atualmente os homens reavaliam seus conceitos e atitudes em relação ao sexo. Querem abrir seu coração para viver e exteriorizar suas emoções e descobrir a sua própria sexualidade. Podemos chamar este processo de a nova busca do prazer. Uma busca lenta e silenciosa onde, aos poucos, o homem se recupera do choque trazido pela emancipação feminina, e descobre que sua vida sexual pode ser muito melhor e mais interessante. A percepção da mudança já existe, mas a mudança de comportamento ainda vai demorar.
 
O início desta mudança ocorre quando o homem percebe que a parceria com a sua mulher, em relação ao desempenho e prazer sexual do casal, pode ser interessante e que gerará lucros na sua resposta sexual. Dividir  a responsabilidade da ereção ( imediata e persistente sempre que requisitado)e do mito da obrigatoriedade de fazer a mulher ter um ou múltiplos orgasmos já traz um alívio imediato.
 
Como dividir tantas obrigações sexuais? Também entre os jovens o temor sexual hoje está na "obrigação" de um desempenho excepcional na cama para satisfazer parceiras desinibidas e exigentes. A cobrança, principalmente deles mesmos, é imensa. Daí o enorme medo de não dar conta do recado. E é justamente o que está acontecendo. Segundo pesquisa atual da USP temos que 45% dos homens têm algum grau de disfunção erétil. Outros 25% ejaculam em menos de dois minutos. "De 50% a 60% dos homens brasileiros enfrentam algum problema sexual em alguma época da vida".
      
O caminho do prazer vai além da abertura da discussão da sua sexualidade com a sua parceira. Pense em responder estas perguntas: O que posso mudar para melhorar a minha vida e a vida  dos que me cercam? (Não é esperar que os outros mudem e sim dar o primeiro passo). Do que gosto? E como gosto de tocar e ser tocado? Se não sei, devo aprender, para depois ensinar. Será que não me cobro demais? Também não cobro muito da minha parceira e isto tiraria a sua espontaneidade?
 
O pensar no querer mudar já é uma grande vitória. As mudanças exigem adaptações e tempo. Nada é rápido. Diga o que sente para a sua parceira, o que quer mudar e melhorar; escute a sua opinião e reflita sobre elas. O caminho do novo prazer será mais curto e as sensações de uma resposta sexual mais eficiente e prazerosa indicarão a certeza do sucesso. Boa sorte!

DR CELSO MARZANO – UROLOGISTA, SEXÓLOGO E TERAPEUTA SEXUAL – DIRETOR DOS INSTITUTOS CEDES  - autor do livro O prazer secreto - Edit Eden