HPV

HPV- TUDO QUE VOCÊ QUERIA SABER:

Estima-se que 10 a 20% da população adulta sexualmente ativa tenha infecção pelo HPV embora apenas 1% apresente o condiloma clássico e 2% apresente o que chamamos de doença subclínica (diagnosticada somente com a colposcopia).

Os jovens representam o grupo com o maior número de infectados, chegando a taxas de 46% em mulheres de 20 a 30 anos. Estas taxas decrescem com a idade, 10% em mulheres com 40 anos e 5% em mulheres acima de 55 anos de idade.

A transmissão do vírus pode ocorrer através do contato sexual, não sexual (familiar ou hospitalar por fômitos – objetos contaminados) e materno fetal (gestacional,intra e periparto).

Entre estes, o contato sexual representa a maioria dos casos. No contato não sexual, é provável que o HPV, assim como as verrugas cutâneas, possa ser transmitido por fômitos (toalhas, roupas íntimas etc) e também pelo instrumental ginecológico, embora ainda não se saiba por quanto tempo o vírus resista fora do organismo, considera-se que este tipo de transmissão seja viável apenas por um curto período de tempo.

O período de incubação que compreende o período da transmissão à doença (forma clínica e ou subclínica), está entre 3 semanas a 8 meses, com uma média de 3 meses, porém se fazem necessárias condições propícias para seu desenvolvimento. Estas condições, na maioria das vezes, estão relacionadas com a competência imunológica de cada indivíduo e a carga viral (quantidade do vírus) no local da infecção.

As infecções anogenitais pelo HPV podem apresentar três formas distintas :

A FORMA CLÍNICA(condiloma) – caracteriza-se pela verruga genital visível a olho nu . Possui um aspecto áspero e irregular lembrando o aspecto de uma couve-flor, pode aparecer como condiloma acuminado, plano e gigante. A mais comum é a forma acuminada, que é uma forma verrugosa de cor rósea, de superfície rugosa, consistência firme, conhecida como crista de galo. A forma plana aparece no colo do útero como tecido branco acompanhado ou não de alterações vasculares. O condiloma gigante, como o próprio nome o diz, é a forma vegetante exuberante de crescimento às vezes muito rápido.

A FORMA SUBCLÍNICA : na maioria dos casos, apresenta-se sem sintomas ou apenas com sinais incaracterísticos : prurido, ardência, umidade e dor durante a relação sexual. Para identificá-las e visualizá-las se faz necessário a utilização de métodos diagnósticos específicos, como as técnicas de magnificação e aplicação de reagentes , utilizando equipamentos de leitura como o colposcópio e peniscópio.

A FORMA LATENTE é caracterizada apenas pela presença do vírus, não apresenta sinais para diagnóstico. Para os pacientes com histórico de infecções pelo HPV, aconselha-se juntamente com os exames de rotina, acrescentar diagnósticos com técnicas de biologia molecular, as quais permitem a identificação do DNA viral.

Sua localização, na maioria das vezes, é multicêntrica e não apresenta distribuição uniforme.

As áreas de maior acometimento da infecção pelo HPV são:

HPV no Homem – no prepúcio interno, no pênis, na glande e no escroto.

Mulher – na vagina, na vulva e no colo

A MANIFESTAÇÃO DO VÍRUS

O HPV invade o local o qual irá infectar no corpo humano através de pequenos traumatismos (lesões) e vai para as camadas mais internas da pele ou das mucosas onde penetra no DNA de nossa célula (da pele ou mucosa).

Ao penetrar nesta célula ele irá utilizar-se da mesma para futuramente se reproduzir. Esta fase de hospedagem na célula alvo é considerada fase latente da infecção, ou seja, temos o vírus mas não temos a doença. Após o contato com o HPV e sua entrada no organismo, haverá uma fase de incubação que pode variar de semanas a meses.

Na maioria das vezes, este vírus é detectado por nosso sistema imunológico e assim destruído. Porém, algumas vezes, por razões não totalmente esclarecidas, podendo uma delas ser alguma falha de vigilância do nosso sistema de defesa ou ainda pela capacidade infectiva do vírus, ele utiliza-se desta célula a qual ele se hospedou para se reproduzir e produzir novas células virais que irão ocasionar a doença, em sua forma clínica ou subclínica

HPV – DIAGNÓSTICO

O método mais simples de detecção do HPV é a observação das verrugas genitais a olho nu. Entretanto, estima-se que apenas 1% dos pacientes com infecções pelo HPV apresentam condilomas típicos (verrugas visíveis) e que a grande maioria dos casos são subclínicos, portanto, assintomático, o que muitas vezes dificulta um diagnóstico .

O diagnóstico das infecções subclínicas baseia-se principalmente no exame de Papanicolaou ou citopatológico e na Genistoscopia, que se utilizam de reagentes e lentes de aumento.

Outros métodos, como biópsia dirigida e captura híbrida, são utilizados na identificação da infecção, sendo a captura híbrida realizada principalmente nos casos de infecções recorrentes e persistentes para identificação do DNA HPV (tabela 1), proporcionando um melhor direcionamento na conduta a ser adotada com este paciente, tratamento ou apenas controle.

 

Tabela 1 : Tipos de vírus DNA HPV conforme potencial oncogênico

Grupos HPV baixo risco Grupo HPV alto risco

Tipos : 6, 11, 41, 42, 43 e 44

Estão associados às infecções benignas do trato genital como o condiloma acuminado ou plano e neoplasias intraepiteliais de baixo grau. Estão presentes na maioria das infecções clinicamente aparentes (verrugas genitais visíveis) e podem aparecer na vulva , no colo uterino, na vagina, no pênis, no escroto, na uretra e no ânus. Tipos :16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51,52, 56, 58 e 66, preferencialmente os tipos 16 e18.

Possuem uma alta correlação com as neoplasias intraepiteliais de alto grau e carcinomas do colo uterino, da vulva, do ânus e do pênis (raro).

CITOLOGIA (Exame de Papanicolaou)

O diagnóstico citológico da infecção pelo HPV, caracteriza-se pela presença de alterações de forma das células em todos os níveis e variados graus e, através da avaliação destas alterações, o patologista irá identificar a infecção ou a suspeita de células de câncer.

GENITOSCOPIA

Genitoscopia é realizada com o auxílio do colposcópio, aparelho utilizado para aumentar a visibilidade dos tecidos que serão previamente coloridos com reagentes específicos, entre eles, o ácido acético, solução de lugol e azul de toluidina a 1% na vulva, períneo e pênis. Dependendo do local observado, os exames são ditos:

a) COLPOSCOPIA / VAGINOSCOPIA – Colo do útero e vagina.

b) VULVOSCOPIA – Vulva

c) PENISCOPIA – Pênis..VIDE TEXTO ABAIXO

d) OROSCOPIA – É o exame da cavidade oral e é fundamental, principalmente, nos casos em que o paciente refere ao sexo oral. As lesões assemelham-se com as encontradas na mucosa vaginal e em sua maioria estão localizadas nas laterais da língua e gengivas.

e) ANUSCOPIA / RETOSCOPIA – É de fundamental importância a avaliação da região anorretal, pois a incidência pela infecção pelo HPV é elevada em pessoas que praticam o sexo anal. Esse exame consiste em se avaliar, através do colposcópio, anuscópio e retoscópio, toda a região perianal, anal e retal.

BIÓPSIA DIRIGIDA

Após a visualização das lesões através da colposcopia, vaginoscopia, vulvoscopia, peniscopia, procede-se à biópsia, que é a retirada de um pequeno fragmento de tecido, com anestesia local, para estudo.

HISTOLOGIA

A histologia é o estudo dos tecidos do corpo humano. São realizadas biópsias, ou seja, retirada de pequenos fragmentos dos tecidos, onde se realiza o método de coloração deste tecido e, após sua coloração, este tecido será observado com o auxilio do microscópio.

MICROSCOPIA ELETRÔNICA

A microscopia eletrônica é o único método que diagnostica o vírus diretamente, porém é inviável a sua utilização no dia-a-dia pelo alto custo. Além do que, sua precisão fica comprometida nas lesões genitais com baixa quantidade de vírus.

BIOLOGIA MOLECULAR

Neste método a identificação dos agentes infecciosos (vírus, bactérias, fungos) é baseada na detecção do seu material genético (DNA e RNA), onde se torna possível não só a identificação, como também, a quantificação dos mesmos, em um prazo de poucas horas.

Se por um lado a microscopia eletrônica é o único método que permite a visualização das partículas virais diretamente, a biologia molecular, através dos diferentes métodos, permite a confirmação e classificação do vírus de uma maneira indireta, tanto nos casos clínicos, como nos casos subclínicos. Esta técnica vem sendo utilizada com mais freqüência principalmente nos casos de lesões recidivantes e persistentes.

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TRATAMENTO

O tratamento do HPV pode ser feito através de diversos métodos, cada um com suas limitações e com variados graus de eficácia e aceitabilidade por parte do paciente. Estes métodos podem ser divididos em químicos, quimioterápicos, imunoterápicos e cirúrgicos.

Químicos mais utilizados são ácido tricloroacético a 80% – 90%, podofilina;

Quimioterápicos: 5 fluorouracil, interleucina 2;

Imunoterápicos: Interferon alfa e beta, imiquimod e retinóides.

Cirúrgicos: temos a curetagem, excisão com tesoura, excisão com bisturi e os mais atuais que são excisão com alça de cirurgia de alta freqüência (CAF) e o LASER.

A associação entre métodos, como por exemplo LASER e interferon, tem se mostrado um tratamento com bons resultados.

Seu médico deverá orientá-lo sobre o melhor tratamento para seu caso, entretanto o uso de preservativos é mandatário e apoio psicológico pode ser necessário para orientar o diálogo com parceiros e a compreensão correta do problema.

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 PENISCOPIA

A peniscopia é um exame de diagnóstico utilizado para observar lesões ou alterações imperceptíveis a olho nu, que podem estar presentes no pênis, escroto ou região perianal.

Geralmente, a peniscopia é utilizada para diagnosticar infecções por HPV, uma vez que permite observar a presença de verrugas microscópicas. No entanto, também pode ser usado em casos de herpes, candidíase ou outros tipos de infecções genitais.

A peniscopia é um exame recomendado sempre que a parceira ou o parceiro do homem apresenta sintomas de HPV, permitindo descobrir se houve transmissão do vírus. Porém, mesmo que o resultado seja negativo, o homem pode ter a infecção, mas não desenvolver qualquer manifestação.

Como é feita a peniscopia:

​A peniscopia é feita no consultório do urologista e não dói. Para isso, o médico coloca uma compressa com ácido acético em volta do pênis durante cerca de 10 minutos e depois observa a região com a ajuda de um peniscópio, que é um aparelho com lentes capazes de aumentar até 40 vezes. Caso o médico encontre verrugas ou qualquer outra alteração, é feita uma biópsia com anestesia local e o material é enviado para laboratório, de forma a identificar qual o micro-organismo responsável e iniciar o tratamento adequado.

Preparo para a peniscopia:  Aparar bem (não raspar) os pêlos pubianos antes do exame; Evitar contato íntimo durante 2 dias; alimentação normal; Não colocar remédios no pênis 2 dias antes  do exame. Estes cuidados facilitam a observação do pênis e previnem falsos resultados, evitando ter de repetir o exame

 

imgresCISTITE NA MULHER

As cistites são  bastante frequentes nas mulheres. Estima- se que de 2 a 6 em cada 100 mulheres apresentam sintomas de cistite aguda. Outros estudos demonstram que entre 25% e 35% das mulheres tiveram cistite aguda em alguma época da sua vida adulta.

As cistites podem ocorrer por trauma local ,por invasão da bexiga de bactérias de origem intestinal, que penetram no trato urinário da uretra e outros não conhecidos.A ansiedade também favorece o aparecimento desta doença. Dois fatores anatômicos explicam a maoir propensão das mulheres a desenvolverem cistites.

1) Proximidade entre o ânus, a vagina e o orifício de abertura do canal uretral.

Como mostra a figura 2, o orifício uretral na mulher abre-se na vagina e esta encontra-se bastante próxima ao ânus. Mesmo em mulheres com hábitos higiênicos locais cuidadosos, torna-se fácil a contaminação da vagina por bactérias intestinais e a subsequente invasão da uretra.

2-Comprimento de uretra- O canal uretral mede cerca de 25cm no homem e de 3 a 5 cm na mulher. O pequeno comprimento da uretra na mulher torna muito mais fácil a ascensão e a invasão da bexiga por microrganismos vaginais.

CISTITES E ATIVIDADE SEXUAL

Algumas mulheres podem desenvolver cistites no início de sua atividade sexual sendo, por isso, denominadas cistites de lua-de-mel.

1-Inoculação de bactérias na uretra durante o ato sexual;

2-Traumatismo direto do pênis sobre a bexiga vazia: muitas mulheres têm o hábito de esvaziar a bexiga previamente ao coito, permitindo com isso um maior traumatismo diretamente sobre a bexiga e favorecendo assim a cistite ( a urina dentro da bexiga funciona como um amortecedor do trauma).

CLÍNICA DAS CISTITES

As mulheres com cistite apresentam grande aumento do número de micções, com pequenos volumes de urina eliminados a cada vez, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga ,ardor na uretra, dor na bexiga que se exacerba ao fim da micção, jato urinário fraco e, algumas vezes, sangue vivo na urina. Nem sempre todas as manifestações estão presentes e a intensidade das mesmas pode variar em diferentes pacientes.As cistites da mulher não costumam se acompanhar de outras complicações e, por isso, são desprovidas de consequências mais sérias. Contudo, produzem grande desconforto e sofrimento e isso justifica seu pronto tratamento.

As mulheres com cistite apresentam grande aumento aumento do número de micções, com pequenos volumes de urina eliminados a cada vez, sensação de esvazimento incompleto da bexiga ,ardor na uretra, dor na bexiga que se exacerba ao fim da micção, jato urinário fraco e, algumas vezes, sangue vivo na urina.

TRATAMENTO DAS CISTITES

Embora em alguns casos de cistites possa ocorrer cura espontânea da infecção (micções repetidas eliminam as bactérias da bexiga), a maioria das pacientes precisa ser tratada com drogas antimicrobianas. Tratamentos inadequados (tipo de medicação ou tempo de administração inapropriados) constituem a principal  causa de repetição ou de cronificação de cistites. O emprego de analgésicos e banhos de assento em água quente servem para atenuar os sintomas na fase aguda e podem ser utilizados em associação com a medicação antibacteriana.

PREVENÇÃO DAS CISTITES

As medidas profiláticas que serão descritas têm grande importância prática, pois diminuem de forma significativa as chances de ocorrência de surtos agudos de cistites.

Micções frequentes: A micção representa um dos mecanismos de defesa do trato urinário contra a invasão  das bactérias (bactérias na uretra são eliminadas com urina durante a micção). Por isso, pacientes propensas a cistites devem urinar com frequência, se possível a cada  3 ou 4 horas.

Ingestão de líquidos: A ingestão de grande quantidade de água contribui para maior formação de urina e isto favorece a eliminação de bactérias durantea micção. Cerca de 2 litros de líquidos devem ser ingeridos por dia.

Higiene pessoal: A higiene feminina implica em cuidados com os orifícios anal, vaginal e uretral e com a pele adjacente, de modo a evitar que bactérias intestinais, eliminadas principalmente por ocasião das evacuações, penetrem na vagina ou uretra. Estas medidas devem ser ensinadas na infância, enfatilizando-se para a criança sobre a necessidade de tais cuidados em decorrência da proximidade entre o ânus e a vagina.

Higiene: A limpeza com papel após as evacuações deve ser feita de frente para trás, e nunca ao contrário, a fim de evitar que bactérias localizadas em torno do ânus sejam carregadas para a vagina.